Mobile First

Por que ainda precisamos falar de Mobile First?

Publicado por em 14/09/2016.

     

    Mobile First não é um conceito novo para quem trabalha com design ou desenvolvimento web a um certo tempo. O primeiro artigo escrito por Luke Wroblewski sobre o tema foi publicado em 2009, e o livro de mesmo nome foi lançado em 2011. A ideia central do Mobile First – como o próprio nome já diz – é projetarmos primeiro para mobile, e depois para desktop. O objetivo disso é exercitarmos o nosso poder de síntese, já que o meio mobile não deixa espaço para nenhum conteúdo de relevância duvidosa. Assim conseguimos não somente pensar de uma forma mais objetiva na versão mobile, mas também otimizar a versão desktop.

    A questão é que trabalhando dessa forma nós conseguimos eliminar aquilo que é um dos maiores problemas nos sites de hoje, que é o lixo informacional. No desktop temos espaço, e queremos colocar ali toda informação que temos disponível, que é o oposto do que pregam todos os princípios de usabilidade. Cada tela de um site/aplicativo deve ter apenas uma função/conteúdo principal, e devemos fornecer ao usuário somente a informação que ele quer/precisa naquele momento. Quando projetamos primeiro para mobile, somos forçados a eliminar todo conteúdo de relevância duvidosa e nos preocuparmos com aquilo que realmente importa, pois o espaço é reduzido e o tempo de interação menor, e quando transportamos isso para a tela grande, conseguimos otimizar os nossos sites desktop.

    Além de agilizar o processo de desenvolvimento, essa redução na quantidade de informações proporciona economia em tráfego de dados e manutenção. Mas não vamos falar somente em redução de custos, e sim em aumento da lucratividade. Sabemos que quase 90% dos consumidores que tiveram uma experiência negativa com certa marca passaram a comprar de um competidor, e pensando nisso é fácil afirmar que uma experiência adaptada ao dispositivo em uso aumenta o engajamento com a marca, e que um fluxo de tarefas mais limpo e objetivo aumenta a conversão.

    Apesar de considerar que o Mobile First – ou ao menos a sua intenção – faz muito sentido e deveria ter maior relevância para o nosso mercado, principalmente pelo protagonismo que os smartphones e tablets ganharam na vida das pessoas em relação aos demais dispositivos, a verdade é que o conceito ainda é muito pouco usado e disseminado no Brasil. A grande maioria das empresas sequer se deu conta da importância de desenvolver uma versão do seu site/aplicativo para mobile, que dirá projetar primeiro para tal. A exemplo disso, no ano passado fui convidado para dar uma palestra sobre Mobile First para os diretores de tecnologia de uma grande empresa, para convencê-los (isso mesmo, “convencê-los”) da importância de se investir em mobile! Não sei pra você, mas pra mim ter que explicar essa importância em uma época em que o número total de pessoas acessando a web através de dispositivos móveis já superou o acesso via desktop, e em que existem cinco ou seis vezes mais telefones celulares no mundo do que computadores é no mínimo ridículo.

    Infelizmente, apesar de termos no Brasil ótimos profissionais, ainda vivemos em um mercado muito anacrônico. Com exceção daquelas que são especializadas, são poucas as empresas no Brasil que investem em mobile como se deve. Se olharmos para os seus sites reduzidos (seja em versão mobile ou responsiva) por exemplo, o que temos na maioria das vezes é aquela velha coisa pra inglês ver: interfaces espremidas de uma forma um pouco mais amigável no celular, porém com os mesmos padrões de interação e fluxos de tarefa que foram pensados para o desktop.

    A verdade é que quando falamos em mobile, é importante pensarmos em mobilidade, e não em dispositivos. Cada vez mais as pessoas querem estar conectadas e se comunicando a todo momento e em todo lugar, e os profissionais de tecnologia estão nessa corrida constante em busca da ubiquidade. Sabemos que o futuro da tecnologia caminha nesta direção, das interfaces naturais, e isso faz com que existam uma grande variedade de oportunidades que na maioria das vezes não são exploradas pelas empresas. O que me consola em tudo isso é ver essa nova safra de empreendedores criando soluções digitais cada vez mais inseridas no dia a dia das pessoas, resolvendo problemas reais e cotidianos, garantindo assim uma presença digital relevante, e trazendo uma esperança de renovação para esse nosso mercado.

    Porque, olha, tá precisando viu!

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    Publicado por

    Edu Agni

    Edu Agni é designer especialista em experiência do usuário, e trabalha há treze anos nas áreas de design e usabilidade, já tendo passado por agências de design e marketing esportivo, fábrica de software, portal de conteúdo e startups. Atualmente é UX Designer na ContaAzul, curador da área de design da Campus Party Brasil e fundador da Mergo, empresa focada em cursos na área de UX.

    2 comentários em “Por que ainda precisamos falar de Mobile First?”

    1. Realmente é difícil, ainda é “normal” achar só por que um layout está dentro de um grid o problema está resolvido é so ajustar nas quebras, colocar um infinity slide ou um scroll e tchanan! seu site responsivo está pronto. Já ouvi que é difícil desenvolver a partir de um cenário mobile para o desktop, e a primeiro momento realmente é, caso você esteja vindo de anos de desenvolvimento desktop only, não sou designer mas as vezes me aventuro a desenvolver um layout e desenvolvendo desktop first é muito mais fácil, agora desenvolver mobile first é difícil, mas é aquela, se não treinar o desenvolvimento nessa nova realidade vai ficar para trás.

       
      1. A impressão que eu tenho é que as equipes mais consolidadas são formadas exclusivamente por devs, e falar em usabilidade já começa a ser um domínio mais das áreas de comunicação do que das áreas de TI. Neste cenário, rola um lance de insegurança por parte destas equipes de TI: “Esse povo da comunicação não entende nada de TI, será que o que eles estão falando está certo?”. É preciso unir as equipes de computação e de comunicação, e este é um ponto chave para conseguirmos parar de “amansar” as equipes de TI… Faz sentido? Abraço e sucesso!

         

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